sábado, 29 de novembro de 2008
quinta-feira, 27 de novembro de 2008
Sad Viena or just learning about people
Sem fotos por enquanto. Meu laptop quebrou. Tive que passar um dia e meio resolvendo isso. Arrumei, paguei caro. Vou indo. Muito frio. Exagerado. Vento gelado. Não adianta vinho, café, entusiasmo de brasileiro. Corta mesmo.
Acabei de voltar de um Concerto de música clássica; perfeito. Era isso que eu precisava pra me perdoar por ter pensado em fugir daqui. Tudo isso porque a idiota ou a loira nazista que me recebeu aqui me tratou bem mal. E eu te pergunto: é por que sou uma mulher que parece uma estudante sozinha? ou por que sou sul-americana? ou por que tem gente que apenas é assim?
Tentando compreender e relativizar a cultura e o choque proporcionado por ela, deixei ela falar alto, subi para o quarto, sentei e chorei.
E a notícia é ruim mesmo, garotas. Ainda não é compreensível mulheres jantando, viajando e saindo sozinhas. Mesmo em um lugar supostamente evoluído. Quando chego ao restaurante, questionam se estou só, no hotel também. Mulher sozinha é mulher com algum problema. Separada, mal-amada, louca, solitária, problemática e por aí vai.
Mesmo que a gente esteja chegando perto dos homens na vida social. Somos ainda discriminadas. Os negros também, os latinos, os pobres, os chineses, os japoneses em certas cirscunstâncias, os indianos, os libaneses, os árabes... e sim ainda vivemos o mundo das raças mesmo que seja um conceito patético e que a Ciência já provou não existir mais.
Viemos do mesmo homem. Somos a mesma carne. Temos o mesmo gen. Somos sim gente da mesma procedência mas não entendemos e vivemos como tal. E isso é lamentável. Isso é sim uma constatação dolorosa, cruel e maldita que tenho que fazer.
Será que iremos aos pouquinhos lutando e enfrentando nossos preconceitos? Será que iremos conseguir dar aos nossos filhos ensinamentos melhores do que estes que ainda vivemos?
Vejo a tragédia da guerra por aqui. É uma marca. As pessoas carregam isso. Os lugares. As memórias. No Brasil a gente não vive esse machucado. Mas vive outro, o da violência cotidiana. Da guerra por sobreviver. Da guerra que a gente até se acostuma, aceita e convive.
Não sei, Viena foi um pouco triste mas excepcional. Só por esse aprendizado, já valeu!
Fotos amanhã, juro!
Acabei de voltar de um Concerto de música clássica; perfeito. Era isso que eu precisava pra me perdoar por ter pensado em fugir daqui. Tudo isso porque a idiota ou a loira nazista que me recebeu aqui me tratou bem mal. E eu te pergunto: é por que sou uma mulher que parece uma estudante sozinha? ou por que sou sul-americana? ou por que tem gente que apenas é assim?
Tentando compreender e relativizar a cultura e o choque proporcionado por ela, deixei ela falar alto, subi para o quarto, sentei e chorei.
E a notícia é ruim mesmo, garotas. Ainda não é compreensível mulheres jantando, viajando e saindo sozinhas. Mesmo em um lugar supostamente evoluído. Quando chego ao restaurante, questionam se estou só, no hotel também. Mulher sozinha é mulher com algum problema. Separada, mal-amada, louca, solitária, problemática e por aí vai.
Mesmo que a gente esteja chegando perto dos homens na vida social. Somos ainda discriminadas. Os negros também, os latinos, os pobres, os chineses, os japoneses em certas cirscunstâncias, os indianos, os libaneses, os árabes... e sim ainda vivemos o mundo das raças mesmo que seja um conceito patético e que a Ciência já provou não existir mais.
Viemos do mesmo homem. Somos a mesma carne. Temos o mesmo gen. Somos sim gente da mesma procedência mas não entendemos e vivemos como tal. E isso é lamentável. Isso é sim uma constatação dolorosa, cruel e maldita que tenho que fazer.
Será que iremos aos pouquinhos lutando e enfrentando nossos preconceitos? Será que iremos conseguir dar aos nossos filhos ensinamentos melhores do que estes que ainda vivemos?
Vejo a tragédia da guerra por aqui. É uma marca. As pessoas carregam isso. Os lugares. As memórias. No Brasil a gente não vive esse machucado. Mas vive outro, o da violência cotidiana. Da guerra por sobreviver. Da guerra que a gente até se acostuma, aceita e convive.
Não sei, Viena foi um pouco triste mas excepcional. Só por esse aprendizado, já valeu!
Fotos amanhã, juro!
segunda-feira, 24 de novembro de 2008
Budapeste não é amor à primeira vista
Cheguei no sábado e estava tudo cinza, ninguém na rua. Frio. Frio. E as pessoas com um semblante bem silencioso. No domingo, começou a nevar na hora que coloquei o pé fora do hotel.
Bonito. Neve forte e todo mundo tentando se proteger, vento também. Andei pouco pois não tinha muito jeito, comprei ingresso pra assistir uma ópera. Foi lindo mas o lugar que eu fiquei não era nada bom e eu não entendo italiano nem húngaro, então depois de duas horas comecei a cansar. Foram três horas e eu me comovi bastante com a música.
Hoje fiz um city tour e pude ver Budapeste melhor. Fico envergonhada com meu pouco conhecimento sobre História. E isso atrapalha você apreciar ainda mais a cidade. Mas aos poucos fui deixando Buda entrar em mim. Não tem aquela coisa que de primeira você se encanta. Pelo menos comigo. Mas aos poucos a Hungria vai tocando a gente por ser inusitada, nada óbvia e pela grandiosidade de sua história social e cultural.
Bom amanhã vou pra Viena e espero tomar muito café e escutar música clássica.
Quanto as pessoas, é esse o aprendizado. Saber apreciar também aquilo que não é como você quer. O italiano é afável sim, me identifico mais com eles no entanto é essa a oportunidade de olhar para o que lhe é estranho e achar espaço pra levar algo diferente consigo.
Beijos!
quinta-feira, 20 de novembro de 2008
Marquei com uma tatuagem
Pra mim tatuagem é pra sempre. Mas é só superfície, não tenho medo de me arrepender.
Eu tenho medo é da morte. Do amor. Da vida. Da violência. Da miséria.Da solidão.
Tatuagem é só marca e uma bem leve. E escolhida por nós.
A história dela é a seguinte, comprei uma caneta em Barcelona com essas frases em francês, amei na hora. Daí estava andando por Milão e pronto.
voir un film - veja um filme
écouter un disque - escute um disco
écrire un poéme - escreva um poema
terça-feira, 18 de novembro de 2008
Comprei a máquina, amanhã teremos fotos... paciência comigo!!
Por enquanto só texto que escrevi no trem.
O que é gentileza? O que acontece com os homens? Eu entrei no trem de Florença pra Milão carregando uma mala de 24kg, eu tenho 1,65 e devo pesar em torno de 55kg. Na minha frente um italiano de cachecol, possivelmente da minha altura que usava um par de óculos Gucci, me parece. Estava eu tentando subir os três degraus da escadinha pra subir no vagão e não posso esquecer vestindo um casacão e com uma mochila de supostamente quase 5kg. Fiquei entalada na portinha, quase quase caio de costas e morro de cabeça rachada porque um cara não pôde me dar aos mãos ou oferecer ajuda.
O que me leva a pensar que o mundo é um lugar horripilante ou as pessoas realmente não se importam. E me remete a uma outra cena que presenciei no domingo a noite. Um casal de 30 e poucos anos (americanos) entrou no restaurante charmoso em que eu estava. Ela sorridente e ele, ríspido, dizendo que precisava ir ao banheiro. Ela se sentou, era uma loira comum. Ele demorou a voltar e ela preocupada ficava olhando e quando ele finalmente voltou eis que nosso sapo chega resmungando que demorou que não tinha sabonete... e que não via nada de bom no cardápio. Ela tentando ser suave pediu o vinho, ele continuou na dele; ou simplesmente irritando a vida dela.
O clima era tenso e eu não sei nada dessas pessoas. Se eles haviam brigado, se estavam comemorando alguma ocasião ou se era lua-de-mel ( espero que não!). Simplesmente me faz pensar porque a gente trata tão mal quem a gente mais ama?
Será que é um costume? Será que a gente para de notar que aquele velho conhecido é parte do nosso mundo? Sei apenas que quando um deles adoecer, já sabemos quem irá passar a noite em claro no hospital pensando que a vida não pode acabar em uma cama regulável com enfermeiras te picando de duas em duas horas.
O que essa mulher esperava era tão pouco. Mão na mão, conversa banal sobre as fotos do dia ou um brinde com o vinho que ela escolheu já que ele não se importou tanto assim. E aí quem irá reparar os estragos? Quem irá remontar essa noite? O que irá curar a ausência dele ali? Não sei.
Talvez nossa pele seja assim. Corta, sangra, descasca e seca. Mas continuo pensativa e isso não diz respeito aos homens, o contrário acontece da mesma forma. A música diz: " All we need is love". E prosseguimos em nome e em busca disso, da iluminada e escandalosa sensação em existir pra alguém, ou pra muitos.
Queremos testemunhas que comprovem nossa presença; Família, amigos, filhos e amores. Tudo sempre agarrado.
Vejo meu avô, aos mais de oitenta anos: um senhor impaciente, ansioso e completamente despreparado para ser meigo em qualquer circunstância. Um italiano brasileiro que não consegue dar colo, mas que adora receber.
Na festa de aniversário de 60 anos de casamento com minha avó, todos reunidos naquele ritual típico, comer, não pra preencher o estômago mas a alma. E ali, naquela festa, ele e ela sabiam de cada palavra dita inadequadamente, de cada beijo dado quando o prazer ainda era prioridade, do choro de cada um dos filhos, do cansaço da vidinha cheia de repetições. Ambos atados pela história em comum.
Mas cada qual com sua melancolia única e ainda que tenhamos testemunhas, algumas coisas estão na caixa sem chave que um dirá será enterrada conosco. E o mundo fica completo, não só pelo o outro, mas por quem somos quando esse outro é convidado a se enfiar dentro de nós. E a gente simplesmente deixa...
domingo, 16 de novembro de 2008
It is all about art e minha total ignorância sobre...
Esculturas me deixam entendiada. Dá vergonha assumir mas não dá pra fingir. Tem pintura que passo reto não sinto nada. Dá de novo vergonha em assumir. Tinha um cheiro de velho na galeria aqui hoje que quase passei mal. De novo vergonha em assumir. Mas assim vou indo, lutando contra a minha ignorância cultural. Devo com certeza aprender e voltar melhorzinha para o Brasil.
Aqui é lindo, lindo mas eu não tenho mais câmera. Sorry!
São só perguntas
Se a gente tivesse só um dia por dia para fazer o que é preciso, será que assim teríamos mais coragem pra tomar as decisões? Será que se o tempo fosse contado apenas de acordo com as horas, as coisas durariam mais? Será que se a gente tivesse condição de ser mais generoso a gente dormiria melhor? Será que se o coração fosse inteligente ele bateria mesmo quando não deve? Ou será que ele pararia mesmo sem a gente querer? Será que se cada um tivesse pra si o mapa, a gente atravessaria o rumo sem atalho? Será que se a gente aprendesse com os erros, a gente curtiria melhor os imprevistos? Será que quando os bêbes nascem eles choram de alegria ou de medo? Ou os dois? Será que cada um tem mesmo sua casa predestinada ou é tudo sempre uma escolha? Será mesmo que cada um tem o sensor de dor ou uns nascem com um quebrado que não sabe distinguir a dor da dor? Será que a gente é feito pra fazer arte ou é a arte que faz a gente ser gente? Será que quando o peito não cabe o que lhe é colocado, as coisas vão para outro lugar ou simplesmente são descartadas? Será que a gente teme a morte porque a gente não teme a vida como poderíamos? Será que o amor é do tamanho que a gente quer ou do tamanho que a gente suporta? Será que nossos desejos correspondem a nossa perspectiva ou é a perspectiva que define nossos desejos? Será que quem morre vai embora porque a gente tem que continuar ou a gente continua porque sabe que vai morrer também? Será que o silêncio é nossa forma de reconhecer a fragilidade das palavras? Será que vez ou outra a gente refaz o mesmo caminho pra ter certeza que está na direção certa? Ou será que a direção certa é aquela que não tem direção? Será que mudar é dar conta de inventar outros nomes para coisas já existentes ou é realmente rabiscar um novo rascunho?
Será que a gente viveria se não conhecesse o será?
Será que a gente viveria se não conhecesse o será?
sábado, 15 de novembro de 2008
sexta-feira, 14 de novembro de 2008
Desbunde, maconha, bandeira vermelha, sapatos e Deus
São sete e meia da noite e deixo Roma amanhã. Amei isso aqui. Vindo de Paris, é no mínimo esperado achar isso aqui adorável. As pessoas na França, ou o parisiense te tratam como um lixinho sul-americano que não sabe diferenciar foie gras de pastel.
Enfim, o que faz um lugar ser atraente não é só a beleza. É como no amor ou na vida. Tem que ter aquela conversa suave, aquela preparação que te faz revirar o estômago e aquele afago no lugar inesperado.
Paris é Gisele. É loira, alta, charmosa, perfeita. Mas falta aquela coisa que faz a pessoa ser Sofia Loren ou Marlyn Monroe.
Roma é bagunçada, tem máfia, tem o pior metrô que já vi na vida. Tem lambreta, moto e carro enfiando um em cima do outro. E um bando de gente falando alto e gesticulando. Mesmo que você não entenda o que eles dizem, você sabe que eles estão ali tentando viver. Brigando por algo. E isso é o maior barato...
E como estou tendo sorte, hoje chegando ao Coliseu estava tendo uma passeta e fui conversar pra saber o que acontecia. Tinham muitos jovens e uma mulher berrando no alto-falante e eles reclamavam o corte de verba para as universidades públicas.
E aqui chegamos ao título do texto que foi mais uma estratégia pra vocês lerem tudo! Desbunde porque parecia os anos 70. Bandeiras vermelhas, música de protesto, casais beijando de língua no meio da passeata e maconha.
Sim, as pessoas adoram falar que o jovem brasileiro é alienado, que tudo vira festa. Aqui também. Muita cerveja e eles cantando e andando e eu ali curtindo com o pessoal como se eu também tivesse 20 anos e acreditasse que o futuro está nas minhas mãos.
Vi muita gente bonita. Gente misturada, cabelos anelados, lisos, de todas as cores. Olhos azuis e pretos e castanhos. E me impressiona o quanto nós no Brasil queremos ter uma cor só. Uma beleza padrão e de preferência nórdica.
E a melhor notícia: a polícia italiana acompanhando e organizando a passeata. Tinha muita polícia mas não vi absolutamente algum ato de violência como vemos normalmente no Brasil. E isso claro me entristece, eu não saí do meu país pra ficar falando dos nossos problemas. É um absurdo eu que tive oportunidade de estudar, usar um pensamento simplista de sul-americana complexada de que tudo no exterior é melhor que nosso.
Nada disso, inclusive irei afirmar algo, o Coliseu, Pantheon, Fontana di Trevi, Piazza Navova são lugares especiais. Linda a arquitetura. Sufocante ver o que podemos construir. Mas no meio de tudo meu coração que é bossa-nova, lembra de como me sinto quando vejo o Rio de Janeiro.
E aqui eu chamo Deus. Ele desenhou aquilo tudo pra gente. E colocou montanha, mar, sol e nos deu. Mas olha só o que a gente fez?!
Meu amigo francês me perguntou se eu era cristã, e eu respondi rindo: "estudei oito anos em colégio católico e as freiras eram malvadas". Mudei de assunto.
E ontem, só de andar pelo Vaticano senti algo. E as pessoas caminhando e você vai sentindo a energia. Você percebe que aquilo é um ritual. Que aquele espaço é espaço da alma das pessoas. Quantos pedidos e quantas confissões não aconteceram ali?
E eu que acho a Igreja Católica retrógada, conservadora, homofóbica e burguesa dentre outros não me atrevi a deixar de curtir a energia por causa de um pensamento racionalista, científico ou qualquer outra categoria do pensamento.
Eu deixei o que ali tinha de bom me tocar. E seria assim na Índia. No japão. Na Palestina. Não é ser ou não cristão que me interessa, é saber se a gente consegue ver o outro como nosso. É saber se quando tenho atitudes que eu considero ruins, depois eu consigo reconhecer minha fragilidade e agir de outra forma na próxima. Me interessa saber se me comovo com quem está jogado na rua e que eu posso tantas vezes fingir que não vejo. Me interessa saber o que eu posso fazer pra pelo menos dar conta de tolerar o que eu não entendo. Me interessa saber se eu dou a vida o que eu posso ou se eu quero me esconder dela?!
Infelizmente minha máquina ficou sem bateria e não fotografei lugares maravilhosos. Dessa vez também está no coração mas queria muito compartilhar com vocês.
Amanhã Florença há de ser bem italiana. Minha origem é essa também, talvez por isso esteja me sentindo bem. Italianos são passionais, só Deus mesmo pra da conta da gente.
Bacio!
Enfim, o que faz um lugar ser atraente não é só a beleza. É como no amor ou na vida. Tem que ter aquela conversa suave, aquela preparação que te faz revirar o estômago e aquele afago no lugar inesperado.
Paris é Gisele. É loira, alta, charmosa, perfeita. Mas falta aquela coisa que faz a pessoa ser Sofia Loren ou Marlyn Monroe.
Roma é bagunçada, tem máfia, tem o pior metrô que já vi na vida. Tem lambreta, moto e carro enfiando um em cima do outro. E um bando de gente falando alto e gesticulando. Mesmo que você não entenda o que eles dizem, você sabe que eles estão ali tentando viver. Brigando por algo. E isso é o maior barato...
E como estou tendo sorte, hoje chegando ao Coliseu estava tendo uma passeta e fui conversar pra saber o que acontecia. Tinham muitos jovens e uma mulher berrando no alto-falante e eles reclamavam o corte de verba para as universidades públicas.
E aqui chegamos ao título do texto que foi mais uma estratégia pra vocês lerem tudo! Desbunde porque parecia os anos 70. Bandeiras vermelhas, música de protesto, casais beijando de língua no meio da passeata e maconha.
Sim, as pessoas adoram falar que o jovem brasileiro é alienado, que tudo vira festa. Aqui também. Muita cerveja e eles cantando e andando e eu ali curtindo com o pessoal como se eu também tivesse 20 anos e acreditasse que o futuro está nas minhas mãos.
Vi muita gente bonita. Gente misturada, cabelos anelados, lisos, de todas as cores. Olhos azuis e pretos e castanhos. E me impressiona o quanto nós no Brasil queremos ter uma cor só. Uma beleza padrão e de preferência nórdica.
E a melhor notícia: a polícia italiana acompanhando e organizando a passeata. Tinha muita polícia mas não vi absolutamente algum ato de violência como vemos normalmente no Brasil. E isso claro me entristece, eu não saí do meu país pra ficar falando dos nossos problemas. É um absurdo eu que tive oportunidade de estudar, usar um pensamento simplista de sul-americana complexada de que tudo no exterior é melhor que nosso.
Nada disso, inclusive irei afirmar algo, o Coliseu, Pantheon, Fontana di Trevi, Piazza Navova são lugares especiais. Linda a arquitetura. Sufocante ver o que podemos construir. Mas no meio de tudo meu coração que é bossa-nova, lembra de como me sinto quando vejo o Rio de Janeiro.
E aqui eu chamo Deus. Ele desenhou aquilo tudo pra gente. E colocou montanha, mar, sol e nos deu. Mas olha só o que a gente fez?!
Meu amigo francês me perguntou se eu era cristã, e eu respondi rindo: "estudei oito anos em colégio católico e as freiras eram malvadas". Mudei de assunto.
E ontem, só de andar pelo Vaticano senti algo. E as pessoas caminhando e você vai sentindo a energia. Você percebe que aquilo é um ritual. Que aquele espaço é espaço da alma das pessoas. Quantos pedidos e quantas confissões não aconteceram ali?
E eu que acho a Igreja Católica retrógada, conservadora, homofóbica e burguesa dentre outros não me atrevi a deixar de curtir a energia por causa de um pensamento racionalista, científico ou qualquer outra categoria do pensamento.
Eu deixei o que ali tinha de bom me tocar. E seria assim na Índia. No japão. Na Palestina. Não é ser ou não cristão que me interessa, é saber se a gente consegue ver o outro como nosso. É saber se quando tenho atitudes que eu considero ruins, depois eu consigo reconhecer minha fragilidade e agir de outra forma na próxima. Me interessa saber se me comovo com quem está jogado na rua e que eu posso tantas vezes fingir que não vejo. Me interessa saber o que eu posso fazer pra pelo menos dar conta de tolerar o que eu não entendo. Me interessa saber se eu dou a vida o que eu posso ou se eu quero me esconder dela?!
Infelizmente minha máquina ficou sem bateria e não fotografei lugares maravilhosos. Dessa vez também está no coração mas queria muito compartilhar com vocês.
Amanhã Florença há de ser bem italiana. Minha origem é essa também, talvez por isso esteja me sentindo bem. Italianos são passionais, só Deus mesmo pra da conta da gente.
Bacio!
quinta-feira, 13 de novembro de 2008
Sou eu
- pagar 5 euros pra subir pelas escadarias da Basílica sendo que pra ir de elevador seriam 8 euros mas os seguranças do Papa, todos lindos por sinal sorriem com sua passagem e um deles extremamente gentil te pergunta: - subir per solo? Oh no, sobe pelo elevador! ( ele falou em italiano mas não consigo falar aqui). E pisca pra você. É um afago, uma forma de dizer não se
sinta abandonada..
Subi pelo elevator!!! Paguei escadarias!
Gente, não reparem quando se está só você dá muito valor as coisas simplezinhas da vida. Bota no contexto!!!
Eu e o ipod e Roma
pra andar do metrô ao Vaticano - Bad - U2
pra ficar na fila de pelegrinos pra entrar na basílica - Hallelujah - Jeff Buckley ( repetidamente)
pra expectativa de ser revistado pra entrar em uma igreja -Gimme Shelter - Rolling Stones
pra subir as escadarias estreitas e sem fim e claustrofóbica - Black Star - Radiohead
pra chorar vendo Roma do alto - Everbody hurts - REM
pra descer as escadarias pensado em Deus - Redemption Song - Bob Marley ( repetidamente)
pra andar na chuva sem o guarda-chuvas - Blackbird - Beatles
pra andar na chuva já bem molhada - Every little thing she does is magic - The Police
pra andar na chuva com guarda-chuvas - All I want is you - U2
pra sentir saudades imensas dos meus pais - Let it be
pra viver de amor - Fulgás- Marina Lima
pra morrer - Just like honey - The Jesus and the Mary Chain
pra andar pelo Vaticano - todas da Amy Winehouse
pra morrer mas agora de amor -Something in the way she moves - Beatles
La Bela Italia, cheguei!
Paris é sempre Paris. Andar, andar e simplesmente não se preocupar em chegar em lugar nenhum. Lá tudo é algum lugar. Podia ser assim também com a gente.
Deixar-se ir sem tantas coisas no caminho nos esbarrando. Mas dizem que o mais interessante da jornada são exatamente os esbarros. Alguns indelicados, outros indesejados mas vez ou outra um esbarro nos comove pela sua força. E assim, dados a descoberta e a impaciente vontade em fazer alguma coisa, seguimos andando.
Em 11 dias por aqui, conheci pessoas. Ouvi algumas histórias. Apenas observei gente. E olhando com olhar de quem não tem pressa, pude ver o quanto a gente é parecidinho. Igualzinho até. Mesma espécie, definitivamente.
A formação cultural e os tais valores nos diferencia. Mas de perto, mais pertinho, temos em comum: machucados e pequenas alegrias. Por aqui os casais não beijam como no Brasil, são mais contidos. Mas um sabe que o outro está ali. Por aqui vejo um espanhol raivoso ou um francês de expressão insonsa. Cada um carregando sua vida como pode. E eu também.
No final do dia, tudo se resume a ter casa. Ter um canto pra jogar sua alma quando ela já não sabe bem onde se enfiar.Ter um amigo pra dizer aquilo que ninguém mais pode. Ter filhos que cresçam e suportem as possíveis frustrações que virão. Ter também desejo. Muito desejo por qualquer amor. Por qualquer dor. Por qualquer coisa que te lembre que você existe.
Seguimos andando com mochilas, sacolas, dinheiro, documentos e um tanta de inutilidades pra garantir que a gente é adulto, que podemos construir algo bom. Ou que podemos apenas nos esconder de nossos sentimentos mais indiscretos. Os inconfessáveis. Os que nos metem medo. Aqueles que costumeiramente abafamos...
Dado que viver é ir, vou. Dado que a escrita me salva, escrevo. Dado que um dia posso ter um filho, lamento tê-lo perdido no caminho. Dado que sou solitária mas amo gente... prossigo.
Dado que sinto saudades mas suporto...choro. Dado que sou sensível e me comovo com Picasso, com Adriana Calcanhoto ou qualquer mera expressão artística...os admiro intensamente. Dado que posso eu também sorrir de vez em quando porque a vida parece me caber, aproveito. Dado que muitas vezes gostaria de ter duas vidas pra poder viver mais e cada uma de jeito, não posso reescrever isso...aceito. Sou uma, mas amo coisas demais. Portanto, escolho.
E assim, sigo andando. Pés doloridos. Bolhas. Manca. Devo ir andando, sem muitas medidas e pequenas regras, apenas dando ao passo o tamanho que ele consegue.
Shakespeare dizia que amor pobre é aquele que pode ser medido. Estou jogando minha régua fora pra ver se aprendo isso definitivamente.
Irei ao Vaticano e prometo orar, rezar, vibrar por todos que um dia entraram em minha. Aos que saíram. Aos que permanecem. Aos que não me entendem. Aos que me entendem profundamente. Aos que com tolerância me dão as mãos e só por isso, sou bem mais feliz.
Vamos ver o que Roma pode fazer por mim! Ou por nós todos!
Deixar-se ir sem tantas coisas no caminho nos esbarrando. Mas dizem que o mais interessante da jornada são exatamente os esbarros. Alguns indelicados, outros indesejados mas vez ou outra um esbarro nos comove pela sua força. E assim, dados a descoberta e a impaciente vontade em fazer alguma coisa, seguimos andando.
Em 11 dias por aqui, conheci pessoas. Ouvi algumas histórias. Apenas observei gente. E olhando com olhar de quem não tem pressa, pude ver o quanto a gente é parecidinho. Igualzinho até. Mesma espécie, definitivamente.
A formação cultural e os tais valores nos diferencia. Mas de perto, mais pertinho, temos em comum: machucados e pequenas alegrias. Por aqui os casais não beijam como no Brasil, são mais contidos. Mas um sabe que o outro está ali. Por aqui vejo um espanhol raivoso ou um francês de expressão insonsa. Cada um carregando sua vida como pode. E eu também.
No final do dia, tudo se resume a ter casa. Ter um canto pra jogar sua alma quando ela já não sabe bem onde se enfiar.Ter um amigo pra dizer aquilo que ninguém mais pode. Ter filhos que cresçam e suportem as possíveis frustrações que virão. Ter também desejo. Muito desejo por qualquer amor. Por qualquer dor. Por qualquer coisa que te lembre que você existe.
Seguimos andando com mochilas, sacolas, dinheiro, documentos e um tanta de inutilidades pra garantir que a gente é adulto, que podemos construir algo bom. Ou que podemos apenas nos esconder de nossos sentimentos mais indiscretos. Os inconfessáveis. Os que nos metem medo. Aqueles que costumeiramente abafamos...
Dado que viver é ir, vou. Dado que a escrita me salva, escrevo. Dado que um dia posso ter um filho, lamento tê-lo perdido no caminho. Dado que sou solitária mas amo gente... prossigo.
Dado que sinto saudades mas suporto...choro. Dado que sou sensível e me comovo com Picasso, com Adriana Calcanhoto ou qualquer mera expressão artística...os admiro intensamente. Dado que posso eu também sorrir de vez em quando porque a vida parece me caber, aproveito. Dado que muitas vezes gostaria de ter duas vidas pra poder viver mais e cada uma de jeito, não posso reescrever isso...aceito. Sou uma, mas amo coisas demais. Portanto, escolho.
E assim, sigo andando. Pés doloridos. Bolhas. Manca. Devo ir andando, sem muitas medidas e pequenas regras, apenas dando ao passo o tamanho que ele consegue.
Shakespeare dizia que amor pobre é aquele que pode ser medido. Estou jogando minha régua fora pra ver se aprendo isso definitivamente.
Irei ao Vaticano e prometo orar, rezar, vibrar por todos que um dia entraram em minha. Aos que saíram. Aos que permanecem. Aos que não me entendem. Aos que me entendem profundamente. Aos que com tolerância me dão as mãos e só por isso, sou bem mais feliz.
Vamos ver o que Roma pode fazer por mim! Ou por nós todos!
terça-feira, 11 de novembro de 2008
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