Se a gente tivesse só um dia por dia para fazer o que é preciso, será que assim teríamos mais coragem pra tomar as decisões? Será que se o tempo fosse contado apenas de acordo com as horas, as coisas durariam mais? Será que se a gente tivesse condição de ser mais generoso a gente dormiria melhor? Será que se o coração fosse inteligente ele bateria mesmo quando não deve? Ou será que ele pararia mesmo sem a gente querer? Será que se cada um tivesse pra si o mapa, a gente atravessaria o rumo sem atalho? Será que se a gente aprendesse com os erros, a gente curtiria melhor os imprevistos? Será que quando os bêbes nascem eles choram de alegria ou de medo? Ou os dois? Será que cada um tem mesmo sua casa predestinada ou é tudo sempre uma escolha? Será mesmo que cada um tem o sensor de dor ou uns nascem com um quebrado que não sabe distinguir a dor da dor? Será que a gente é feito pra fazer arte ou é a arte que faz a gente ser gente? Será que quando o peito não cabe o que lhe é colocado, as coisas vão para outro lugar ou simplesmente são descartadas? Será que a gente teme a morte porque a gente não teme a vida como poderíamos? Será que o amor é do tamanho que a gente quer ou do tamanho que a gente suporta? Será que nossos desejos correspondem a nossa perspectiva ou é a perspectiva que define nossos desejos? Será que quem morre vai embora porque a gente tem que continuar ou a gente continua porque sabe que vai morrer também? Será que o silêncio é nossa forma de reconhecer a fragilidade das palavras? Será que vez ou outra a gente refaz o mesmo caminho pra ter certeza que está na direção certa? Ou será que a direção certa é aquela que não tem direção? Será que mudar é dar conta de inventar outros nomes para coisas já existentes ou é realmente rabiscar um novo rascunho?
Será que a gente viveria se não conhecesse o será?
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