quarta-feira, 3 de dezembro de 2008

Opressão, medo, violência e finalmente sem muros. Será?




Eu no post anterior já afirmei minha curiosidade, interesse e desejo em aprender um pouquinho de História por aqui. Assumo minha total ignorância e não sei se no colegial a culpa é dos professores, pela forma retrógada em ensinar ou minha mesmo de não dar atenção devida às aulas. Possivelmente dos dois, uma pela imaturidade outro pelo jeito nada interessante em ensinar.

Apesar da neve, senti Berlin melhor. Andei. Vi pessoas. E fui a um lugar que pra mim foi único. Estive no Checkpoint Charlie, nome dado a um dos pontos de cruzamento entre Berlin Oriental e Ocidental. Hoje no lugar do bloqueio, dos soldados armados e de trechos do muro que já não existe mais, temos um Museu privado com documentos e fotos desde a Segunda Guerra. É bem duro ver tudo aquilo. E ali bem na fronteira dá pra sentir arrepios. Dá pra sentir não sei o quê. É uma vibração pesada porque aquilo ali é testemunha de muita coisa. Muita gente morreu. Muita gente foi morta mas viveu. Não se existe sem liberdade, se

Só na Segunda Guerra morreram aproximadamente 55 milhões de pessoas.Um terço do Brasil. Depois disso a Alemanha teve caminhos que apartaram um povo. Nesse museu temos histórias mirabolantes de fuga de gente que queria sair do regime comunista. Túneis, mulher dentro de mala, balão e até gente voando. Literalmente.

Até hoje a placa está lá com os dizeres: You are leaving the American Sector. Eu tento, tento, tento mas pra mim é no mínimo enclausurante imaginar que não se tinha o direito de ir e vir. Famílias separadas, casais, amigos, vidas, sentimentos e repressão. Sempre vigiados. Em constante controle, o tempo todo em monitoramento. Não era escolha, era coação. Era não ter como dizer: quero ir pra lá. Não, você não pode.

E então, de novo como entender a História. Como reviver isso? Eu tinha onze anos e me lembro da TV, da revista Veja. Me lembro de não entender mas de saber que devia ser bom já que as pessoas comemoravam.

Cadê o muro no Brasil? Ou o monte de pequenos muros que implicam em uma sociedade contrastante entre ricos e miseráveis e uma boa turma entre isso, classe média que capenga mas vai indo. Cadê a polícia que ainda tortura? Cadê o tráfico que também domina e tem seu regimento interno que controla tantas comunidades?

E o nosso muro diário do medo da violência? A gente mora em condomínios fechados com segurança privada. O que é isso? E aquele muro entre os que ainda são estigmatizados pela cor. O Pelé não entrou no Praia Clube há menos de 30 anos atrás.

Pensa nisso! Pensa que nossa História recente de pouco mais de 500 anos é também marcada pelo constante abuso desde sua formação. E pra sobreviver teve que se dar um jeitinho?! Aí ficou complicado, jeitinho é ginga ou não ter ética? Ou usar um pouquinho de cada conforme a situação?
Ufa, como o brasileito é leve, risonho, espontâneo. Sim, somos. Por isso Chico e Caetano cantaram: " mesmo com toda a fama, com toda a brahma, com toda a cama, com toda a lama, a gente vai levando, a gente vai levando, a gente vai levando..."
Eu não sou nem completamente destrambalhada pra comparar lá com cá. Ou cá com lá. Pra mim Berlin tem até agora uma textura, um barulho e um desconforto que é de si. Não há como cogitar compreender uma História ou as histórias que a cercaram em um bocado de dias. Isso aqui diz respeito a um direito irrevogável de nós todos: a vida.

Cada Brasil com sua banana. Cada Alemanha com sua divisão. E o que eu posso fazer senão vir até aqui, arrepiar, chorar e por rápidos dias imaginar que gente como toda gente do resto do universo caminhava por esse mesmo chão que estou pisando.

Puta, isso é mágico. Isso é disparado o que mais me comove em toda viagem, a cultura de cada um. Eu não sinto absolutamente nada com a loja da Gucci, com os bares pós-modernos e seus cardápios, muito menos com as bolsas de 800 euros. Com a tecnologia de tudo que me rodeia.

Eu gosto mesmo é de ver uma criança pequenina aprendendo a falar sua língua e pais que a ensinam gentilmente. Gosto dos cachorros tratados com dignidade, dentro de um metrô. Gosto de ver um casal se pegando( beijando ou brigando) em qualquer canto. Gosto de idosos que se animam a pegar um mapa e sair do seu país pra conhecer novos lugares. Gosto de saber que alguém é capaz de me ajudar com a minha mala. Gosto de ver todas as livrarias por onde olho e as pessoas emburradas lendo em pé. Gosto de ver as mulheres aqui dirigindo táxi, bonde, metrô e avião. Gosto de ouvir as línguas diferentes. Gosto de conversar com quem sabe que no Brasil falamos português. Gosto da turma de amigas falantes nas ruas. Gosto de saber que eu só só mais umazinha e que de verdade nada pode ser tão importante assim. E gosto sim de saber que eu tenho casa pra quando eu voltar.

Portanto, minha emoção por essas pessoas que morrem porque enfrentam. Minha solidariedade para as famílias que se perdem porque o ser humano é tão bom quanto pode ser mas também sabe ser cruel e aprende a matar. Minha mão pra dor da fome, que eu também vejo aqui. Gente na rua, no frio e jogada, só esperando... esperando... esperando...






































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