quinta-feira, 13 de novembro de 2008

La Bela Italia, cheguei!

Paris é sempre Paris. Andar, andar e simplesmente não se preocupar em chegar em lugar nenhum. Lá tudo é algum lugar. Podia ser assim também com a gente.

Deixar-se ir sem tantas coisas no caminho nos esbarrando. Mas dizem que o mais interessante da jornada são exatamente os esbarros. Alguns indelicados, outros indesejados mas vez ou outra um esbarro nos comove pela sua força. E assim, dados a descoberta e a impaciente vontade em fazer alguma coisa, seguimos andando.

Em 11 dias por aqui, conheci pessoas. Ouvi algumas histórias. Apenas observei gente. E olhando com olhar de quem não tem pressa, pude ver o quanto a gente é parecidinho. Igualzinho até. Mesma espécie, definitivamente.

A formação cultural e os tais valores nos diferencia. Mas de perto, mais pertinho, temos em comum: machucados e pequenas alegrias. Por aqui os casais não beijam como no Brasil, são mais contidos. Mas um sabe que o outro está ali. Por aqui vejo um espanhol raivoso ou um francês de expressão insonsa. Cada um carregando sua vida como pode. E eu também.

No final do dia, tudo se resume a ter casa. Ter um canto pra jogar sua alma quando ela já não sabe bem onde se enfiar.Ter um amigo pra dizer aquilo que ninguém mais pode. Ter filhos que cresçam e suportem as possíveis frustrações que virão. Ter também desejo. Muito desejo por qualquer amor. Por qualquer dor. Por qualquer coisa que te lembre que você existe.

Seguimos andando com mochilas, sacolas, dinheiro, documentos e um tanta de inutilidades pra garantir que a gente é adulto, que podemos construir algo bom. Ou que podemos apenas nos esconder de nossos sentimentos mais indiscretos. Os inconfessáveis. Os que nos metem medo. Aqueles que costumeiramente abafamos...

Dado que viver é ir, vou. Dado que a escrita me salva, escrevo. Dado que um dia posso ter um filho, lamento tê-lo perdido no caminho. Dado que sou solitária mas amo gente... prossigo.
Dado que sinto saudades mas suporto...choro. Dado que sou sensível e me comovo com Picasso, com Adriana Calcanhoto ou qualquer mera expressão artística...os admiro intensamente. Dado que posso eu também sorrir de vez em quando porque a vida parece me caber, aproveito. Dado que muitas vezes gostaria de ter duas vidas pra poder viver mais e cada uma de jeito, não posso reescrever isso...aceito. Sou uma, mas amo coisas demais. Portanto, escolho.

E assim, sigo andando. Pés doloridos. Bolhas. Manca. Devo ir andando, sem muitas medidas e pequenas regras, apenas dando ao passo o tamanho que ele consegue.

Shakespeare dizia que amor pobre é aquele que pode ser medido. Estou jogando minha régua fora pra ver se aprendo isso definitivamente.

Irei ao Vaticano e prometo orar, rezar, vibrar por todos que um dia entraram em minha. Aos que saíram. Aos que permanecem. Aos que não me entendem. Aos que me entendem profundamente. Aos que com tolerância me dão as mãos e só por isso, sou bem mais feliz.

Vamos ver o que Roma pode fazer por mim! Ou por nós todos!

4 comentários:

Unknown disse...

"Sou uma, mas amo coisas demais. Portanto, escolho".
Que lindo Lalá!!!
Beijo com saudade!

Anônimo disse...

Ai, lembra de mim lá no Vaticano... Deve ser muito emocionante.
Não por causa de religião, dogmas etc e tal... Mas por toda a história que tem ali...

Anônimo disse...

Il cuore ha le sue ragioni che la ragione non conosce!!!!!!!!
bacio!!!

Anônimo disse...

"Cada um carregando sua vida como pode. E eu também.", strong words girl. Agora, um conselho. Se permita 2h do seu longo dia aí sem tanta observação reflexiva. Deixa a cabeça vazia, os olhos cheios e o coração transbordante. Deixa a reflexão pra volta.