Primeira parada: Templo Sagrada Família de Gaudí. Belíssimo, a construção começou em 1892 e até hoje não está acabada. Achei super grandioso e a obra bem original, tem um monte de detalhes que mostram o que nossa imaginação pode criar.
O que eu mais gosto de ver nesses grandes lugares por aqui é que sempre tem um monte de crianças. Visitar lugares históricos é natural e não tem nada de tedioso, elas ficam curiosas e interessadas.
E outra coisa comum são as mães com carrinhos por todos os lugares, tipo sem babá e super vivendo normal. No nosso país machista, mulher não sai de casa até o filho crescer. Mulher tem que ficar cuidando dos pequenos em casa quieta, o homem, coitado, cansado do trabalho chega só pra curtir os bons momentos.
Aqui vejo homem conversando com os filhos, dando comida e a mulher existindo como um alguém igual a ele, tem horas que a gente fica tão impregnado com nossa cultura que não nos damos conta de nos assistir em outra perspectiva. Por isso a delícia de ver gente diferente. Quantas línguas perambulando por aqui.... e que vontade de saber falar outros idiomas.
Depois fomos eu e Lena, a peruana brasileira ao Museu Picasso. Amei! O acervo é demais e novamente um bando de moleques olhando pra tela e fofocando. Tentando entender aquilo da maneira deles. Quisera eu um dia poder proporcionar isso ao meu filho. E não só fora do Brasil, falo de conseguir ser aberta suficiente pra tratá-lo como pensante. Ter coragem de lhe ensinar que desde pequeno que sim somos livres. Que ele pertence a uma esfera bem maior do que o núcleo familiar em que vive, do que sua cidade, seu país...
É sentir que a gente é de cores e tons diferentes mas somos da mesma pele. Mas o que cada um carrega de si é precioso. Único. E dever ser respeitado. Não é montar um plano pra vida dele. Como eu gostaria de conseguir dar a ele a chance de se arriscar, de ser também portador de desejos que não somente reflexo de mim. Quanta chatura uma mini-Lara... quanto tédio alguém que tivesse que cumprir o que eu não fui. Será que minha proteção vai me deixar diferente e eu vou afinar e vou criar meus filhos na bolha?
Queria mesmo, que um dia eu possa trocar com esse mesmo pequeno, histórias. Que eu não tenha a vergonha de contar as minhas. E que eu dê conta de ouvir as suas. Mesmo que não me agradem.
Acho que comecei bem minha viagem. Consegui não sentir culpa por ter condições de fazer essa experiência, consegui me socializar com alguém que eu possivelmente tenho pouco em comum. Que eu achava né. Porque a gente vive achando que acha alguma coisa, ao invés de simplesmente ser presente. Ser ouvinte, ser falante. Chama diálogo. E não tem nada a ver com o que a gente faz na vida corrida que é fingir que está prestando atençao, fingir que se importa;
Aprendi que as escolas do Peru são melhores que a do Brasil.Aprendi que mesmo tendo formações e vivências diferentes em algum momento nos cruzamos. Nos tocamos. Nos damos conta de que há um outro.
E que mais há senão uma prosa despretenciosa? Um ou outro gênio fazendo arte e outros compartilhando?
Cultura deve ser isso... dar e receber aquilo que simplesmente se é.
Beijos... e um cadinho de saudade!
Assinar:
Postar comentários (Atom)
Um comentário:
lindo lindo
Postar um comentário